domingo, 11 de novembro de 2012

"As vezes ela passava um dia sem pensar nele ou sentir sua falta. E por que não? Tinha uma vida bastante cheia e, francamente, muitas vezes ele não tinha sido uma pessoa fácil de se lidar e de se conviver. 'Um Projeto', diriam os ianques da velha guarda como seu próprio pai. E então, às vezes, num dia nublado (ou ensolarado) qualquer, tinha tanta saudade dele que se sentia vazia. . ."


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O salto

A gente não tem como saber se vai dar certo. Talvez, lá adiante, haja uma mesa num restaurante, onde você mexerá o suco com o canudo, enquanto eu quebro uns palitos sobre o prato -- pequenas atividades às quais nos dedicaremos com inútil afinco, adiando o momento de dizer o que deve ser dito. Talvez, lá adiante: mas entre o silêncio que pode estar nos esperando então e o presente -- você acabou de sair da minha casa, seu cheiro ainda surge vez ou outra pelo quarto –, quem sabe não seremos felizes? Entre a concretude do beijo de cinco minutos atrás e a premonição do canudo girando no copo pode caber uma vida inteira. Ou duas.
Passos improvisados de tango e risadas, no corredor do meu apartamento. Uma festa cheia de amigos queridos, celebrando alguma coisa que não saberemos direito o que é, mas que deve ser celebrada. Abraços, borrachudos, a primeira visão de seu necessaire (para que tanto creme, meu Deus?!), respirações ofegantes, camarões, cafunés, banhos de mar – você me agarrando com as pernas e tapando o nariz, enquanto subimos e descemos com as ondas -- mãos dadas no cinema, uma poltrona verde e gorda comprada num antiquário, um tatu bola na grama de um sítio, algumas cidades domesticadas sob nossos pés, postais pregados com tachinhas no mural da cozinha e garrafas vazias num canto da área de serviço. Então, numa manhã, enquanto leio o jornal, te verei escovando os dentes e andando pela casa, dessa maneira aplicada e displicente que você tem de escovar os dentes e andar ao mesmo tempo e saberei, com a grandiosa certeza que surge das pequenas descobertas, que sou feliz.
Talvez, céus nublados e pancadas esparsas nos esperem mais adiante. Silêncios onde deveria haver palavras, palavras onde poderia haver carinho, batidas de frente, gritos até. Depois faremos as pazes. Ou não?
Tudo que sabemos agora é que eu te quero, você me quer e temos todo o tempo e o espaço diante de nossos narizes para fazer disso o melhor que pudermos. Se tivermos cuidado e sorte – sobretudo, talvez, sorte -- quem sabe, dê certo? Não é fácil. Tampouco impossível. E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo -- o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão --, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.

                                                                                                                                                                         Por Antonio Prata :)


sábado, 8 de setembro de 2012

Light sparkles

Hoje o conceito de random pro meu media player ta meio confuso, acho. De 5 músicas 2 são linkin park, 2 the used e uma outra qualquer. E foi numa dessas que acabei por ouvir "Empty with you". Até tinha o Artwork baixado aqui, mas nunca tive paciência pra ouvir. Por que? Sei lá, mas obrigada mp por transmitir essa faixa linda que inspirou a minha crônica de agora.

   Era fim de tarde já, o carro estava cheio rumo a praia. Depois de 4 horas chegamos no apartamento, cada um escolheu seus respectivos lugares enquanto eu deitei na rede tentando não pensar em nada, afinal se nem gosto tanto assim de praia, só vou mesmo pra "mudar" o ambiente, descontrair, pensar em qualquer coisa menos na vida que tenho levado.
    Passado um tempo chamaram pra fazer um luau e lá vamos todos badernar na praia. Depois de muita música, cantoria aos berros, bebidas, risos e conversas o pessoal começou a cansar e querer voltar.
Era tarde já, não aguentava mais me mexer de um lado pro outro sem conseguir dormir. Que porra de mente é essa que não se desliga nem no extremo cansaço? O calor também não estava ajudando muito, fui até a praia e fiquei olhando pro mar... ouvindo o barulho das ondas, me concentrando só nesse momento de paz.
Não peguei nada, nem celular, nem dinheiro, muito menos chinelo. Me desconectar totalmente de tudo pra sentir a brisa do mar, os pés descalços na areia, quando me deparo com ele... parado perto do mar.
- Você por aqui? - abri um sorriso
- Pois é, insonia e a noite ta bonita demais pra desperdiçar.
    Sentei na areia, ele deitou no meu colo; a gente já tinha uma certa intimidade, diria até que se tratava de uma mútua cumplicidade. Ficamos os dois lá simplesmente curtindo a noite e a companhia um do outro sem precisar dizer qualquer coisa a mais. Não havia necessidade de falar algo, os gestos berravam mais que qualquer palavra.
    Fiquei brincando com o cabelo dele, cochilou enquanto eu viajava em nostalgia. Depois de um tempo dei um beijo na testa dele, o céu começou a ficar cada vez mais claro, tive que acordá-lo pra ver isso. Sentou do meu lado, encostei a cabeça no seu ombro e assistimos o nascer do sol quando ele inclinou o rosto pra mais perto e disse:
- Eu sempre quis fazer isso...




You could be empty

And I can be right here empty with you...




segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Reme, love, reme..

"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar."






Caio Fernando de Abreu

domingo, 2 de setembro de 2012

Es, ich, über-ich.


Filme inspirador. Daqueles que contam o que todos sabem ou já deveriam saber: todo mundo tem seu próprio carcereiro.

As limitações que penso que tenho, todas bobagens já que esse limite tênue do que posso ou não fazer provém de ninguém mais além de mim.
Deixar de falar algo, de fazer algo, de ir a algum lugar porque.. não tem "porquê", se eu quero então devo fazer, parar de me privar porque "seria estranho", "fica um ar estranho", "tal pessoa vai estar lá". E DAÍ?
Não tenho que agradar ninguém, só a mim. Divertir a mim, pensar em mim, satisfazer a mim... ser mais pra mim do que pelos outros. Os outros são consequência.
Pode soar bastante egoísta, prefiro pensar mais como uma forma de libertação. Cansei de perder situações, oportunidades ou o que quer que seja por estar pensando demais.

Você me controla ou eu controlo você? Pois é..

sábado, 21 de julho de 2012

It's up to you



"- ...how do people change?
- Well, it has something to do with God. So it's not very nice. God splits the skin with a jagged thumbnail from throat to belly. Then plunges a huge, filthy hand in. He grabs hold of your bloody tubes. You slip to evade his grasp, but he squeezes hard. He insists. He pulls and pulls... till all your innards are yanked out. And the pain... I can't even talk about that. Then he stuffs them back... dirty, tangled, torn. It's up to you to do the stitching.
- Get up. Walk around.
- Just mangled guts pretending.
- Yeah. That's how people change."



Angels in America, Chapter 5

domingo, 1 de julho de 2012


Lista das primeiras coisas, por ora são essas:

  • Show Franz Ferdinand;
  • stand-up comedy;
  • viagem sozinha;
  • ficar em hotel sozinha;
  • viajar de avião;
  • comida mexicana no Zapata;
  • cupcake;
  • quentão curitibano (vinho + marshmallow) haha;
  • Sláinte Irish bar;
  • duff;
  • danoninho caseiro da Djuh;
  • cinema com banco de couro hahah;
  • museu do automóvel;
  • estar com Benji;
  • Barba negra hamburgueria;
  • Madero;
  • Babilônia;
  • Outback Steakhouse;
  • dirigir um i30, e o mais importante, SEM BATER HAHAHA
  • Dj Club;
  • ser motorista da vez e levar os encachaçados pra casa.
Muito bom saber que estou mudando, me sinto ótima, renovada talvez?! Esse ano ta sendo meu ano de sair do comodismo e fazer acontecer (pena que o bolso talvez não esteja gostando tanto assim haha). Agora eu posso dizer que entendo o que significa "seguir o coração"; viajar, conhecer, descobrir, SE descobrir, cantar, correr, dançar, beber; se deixar levar pela consequência dos fatos largando de lado um pouco o receio e a sensatez pra poder fazer tudo que tem vontade, isso é estar seguindo o coração.